* Por Willy Pereira da Silva

Se você costuma estar por dentro de discussões voltadaspara o presente contexto, é provável que já tenha escutado ou até mesmo faladoque em breve tudo voltará ao normal. Com base nesse ideal comum de que umarotina anterior precisa ser resgatada, não seria melhor encarar esse momentocomo uma oportunidade para encontrarmos novos sentidos e significados?

Com a chegada da covid-19, o mundo começou a viverexperiências que, se antes eram encaradas com resistência, muitos não tiveramoutra escolha senão conhecer novas abordagens. De fato, se olharmos para otodo, diversas áreas estão passando por inevitáveis reformulações e não hádúvidas de que a educação é uma das protagonistas nesse processo.

QUAL IMPACTO EMOCIONAL QUE O NOVO NORMAL TEM CAUSADO NASCRIANÇAS?

Diante do distanciamento social, escolas de todo paísprecisaram se reinventar, trazendo a ascensão de metodologias mediadasprincipalmente pela tecnologia. Agora, tudo indica que estamos caminhando parauma educação híbrida, que mudará a ideia de que a educação se dá exclusivamentede dentro dos portões das escolas.

Além disso, devemos levar em conta todas os aspectos quecaminham lado a lado com a educação: por exemplo, o desenvolvimento afetivo,social, cognitivo e cultural, formados a partir das relações e interações queconstruímos com o mundo, são importantes principalmente para crianças eadolescentes que, nos últimos meses, se recolheram e conviveram somente comseus familiares mais próximos.

Estamos com um inspirador desafio pós-pandemia: abrir osportões das escolas e mostrar que a educação pode ser trabalhada em múltiploscontextos, afinal, não queremos sair de um isolamento e entrar em outro, certo?Dito isso, o que será que existe para além das paredes da escola?

Tendo em vista tudo que vem acontecendo em 2020, não ésurpresa alguma que a resposta para essa pergunta tenha ficado um tantodistante de nossas vidas. Conforme algumas atividades ganhem forma, é provávelque comecemos a refletir sobre o tempo que passamos ancorados em um único espaço– como aconteceu no isolamento, contando com ações que muitas vezes se limitamao extremos de uma parede para outra. Existem muitas coisas para se descobrirlá fora e, no caso das escolas, temos a incrível chance de ampliar os espaçosde aprendizagem: superar as paredes que afastam os alunos e professores domundo.

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Um outro fator a ser considerado nesse processo deressignificação é a aproximação das famílias com a vida escolar dos alunos,tornando-os agentes ativos na educação.

A relação dos alunos com a rotina diária dos familiares éalgo que deve ser levado em consideração, visto que as aulas e o trabalho emcasa se tornaram compatíveis. Em outras palavras, o presente contexto de transformaçãovem simbolizando uma oportunidade para desenvolvermos relações empáticas esaudáveis entre as famílias e a escola: ambos são significativos para grandesdescobertas.

É importante que todos os agentes envolvidos nos maisdiversos âmbitos educacionais reflitam acerca das habilidades que estão sendodesenvolvidas pelos alunos em suas casas, o que não se resume apenas aosconteúdos aplicados nas aulas remotas e/ou gravadas. Durante a pandemia, quaisações estão sendo significativas para essas crianças e adolescentes? Será quetiveram aqueles que desenvolveram interesse pelos jogos eletrônicos? Pelagastronomia? Ou até mesmo pela criação de conteúdos nas redes sociais?

A partir dessas possibilidades, a escola conseguirádirecionar caminhos de aprendizagem que serão importantes não apenas para esseperíodo, mas para toda vida. Além disso, é possível que existam aqueles queainda não conseguiram identificar plenamente suas aptidões, sendoresponsabilidade da educação de garantir incentivos de descobertasdesencadeadas a partir do fazer, criar, modificar etc. É o maker em ascensão!

Por fim, podemos afirmar que a educação está constantementese reformulando, trazendo sempre para sua essência artefatos e metodologias quedevem ser condizentes, acima de tudo, com o contexto daqueles que são agentesativos: a comunidade escolar. Nesse período de mudanças, devemos entender ossentimentos e as emoções que estão sendo carregadas pelos alunos, professores,famílias e todos os colaboradores que compõem as escolas. Com essa perspectiva,será possível encontrar coletivamente os melhores caminhos para a educação,tornando a escola um símbolo de plena união.

* Willy Pereira da Silva é agente de suporte eacompanhamento no Sucesso do Cliente da Tecnologia Educacional.



12/11/2020