Por Luciane Danylczuk Prendin

A aproximação do Dia Nacional da Língua Portuguesa que é celebrado em 5 de novembro, data essa instituída no Brasil em 2006 em homenagem ao aniversário do escritor e defensor da Língua Portuguesa Rui Barbosa, leva-nos a refletir: como devem ser as práticas do ensino da nossa língua materna em sala de aula?

É inquestionável a importância de que a aprendizagem e o uso da Língua Portuguesa se deem de forma significativa e atendam as reais necessidades dos estudantes quanto à prática comunicativa, onde se mescle a oralidade, a leitura e a produção de diferentes gêneros textuais e digitais.

É também imprescindível que ferramentas digitais, que fazem parte da rotina dos estudantes e que estão cada vez mais presentes no cotidiano educacional, proporcionem facilidade na comunicação, na interação social e também no processo de ensino e aprendizagem. Pois, os recursos tecnológicos, gamificados e audiovisuais mudam gradativamente o sistema educacional, colocando a escola em sintonia com as novas metodologias de ensino e aprendizagem, tornam a aprendizagem mais significativa, diminuem a distância entre o professor e estudantes, permitem adequação e modificação nas práticas pedagógicas, por meio de atividades diversificadas e contextualizadas.  

Com ferramentas tecnológicas é possível ressignificar o ensino da Língua Portuguesa, fazer uso dos conhecimentos curriculares de forma adequada às diferentes situações comunicacionais, às novas mídias e às inovações nas rotinas impostas pelo uso da internet. Isso porque a tecnologia deixou de ser apenas mecanismos de descontração e entretenimento, apresenta recursos didáticos que situam os educandos no contexto atual da educação midiática.  Da mesma forma, os novos gêneros textuais possibilitam o multiletramento e uso de múltiplas linguagens, como a visual, verbal, sonora, espacial, entre outras.  

Essa multiplicidade tem provocado mudanças no que se refere às práticas de leitura e escrita e ao que se espera em termos de informação, ensino e aquisição de novos conhecimentos. Visto que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) fomenta que as práticas de ensino e aprendizagem permitam que os estudantes possam explorar e perceber os modos como as diversas linguagens se combinam de maneira híbrida em textos complexos e  multissemióticos,  para  que eles possam aprender e atuar socialmente, assim como articular os conhecimentos adquiridos nas aulas de Língua Portuguesa. Além de destacar que a tecnologia e os seus diferentes usos devem estar contemplados nos currículos escolares, independentemente do nível escolar.  

Tendo em vista que muitos estudantes já têm contato diariamente com gêneros digitais, não podemos esquecer de que a tecnologia dá mais voz ao estudante, envolve-o a cada dia mais no processo de aprendizagem, o que é essencial para dar sentido às atividades escolares e a fazer sentido aos conteúdos curriculares.

Para realizar a tarefa e relacionar o universo do aluno ao universo dos conteúdos escolares, e com isso contribuir para a formação básica do cidadão/trabalhador, o professor precisa também utilizar as tecnologias que hoje são parte integrante da vida cotidiana.
(SAMPAIO e LEITE, 2008, p. 74).

Portanto, como educadores não podemos deixar que impere a concepção mecânica do ensino da Língua Portuguesa onde ela é vista apenas como uma forma de conhecer letras e palavras. É preciso fazer com que o seu principal objetivo: desenvolver cidadãos criativos, críticos e com competência comunicativa em todas as áreas do conhecimento e em plena condição para a participação social, seja a principal habilidade a ser desenvolvida em sala de aula.

Sobre a autora: Luciane Danylczuk Prendin, professora há mais de 35 anos e coordenara no desenvolvimento de soluções de tecnologia educacional, na área de Língua Portuguesa do Educacional.