Pauta da Agenda 2030 da ONU, oportunizar um ensino integrado em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática é fundamental para dar acesso aos jovens as profissões que o mundo vai exigir muito em breve.

Meninas e meninos têm o mesmo interesse em invenções e fórmulas matemáticas nos anos iniciais da vida escolar, entretanto à medida que as meninas avançam de série o interesse diminui gradativamente e isso reflete na representação das mulheres nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM em inglês).  

“Muitas meninas são impedidas de se desenvolver por conta da discriminação, pelos diversos vieses e por normas e expectativas sociais que influenciam a qualidade da educação que elas recebem, bem como os assuntos que elas estudam...A questão tem raízes profundas e coloca um freio prejudicial no avanço rumo ao desenvolvimento sustentável”. A constatação está no relatório “Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM)”, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

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Essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as ciências, a tecnologia e a inovação impactam na forma de lidar com a mudança climática, a segurança alimentar, a melhoria da assistência médica, a administração dos limitados recursos de água potável e proteção da biodiversidade.

“Meninas e mulheres são partes fundamentais no desenvolvimento de soluções para melhorar a vida e para gerar um crescimento “verde” e inclusivo que beneficie a humanidade como um todo. Elas representam o maior grupo populacional inexplorado para se transformar nas próximas gerações de profissionais nas áreas de STEM – nós devemos investir no talento delas.”

  • Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), UNESCO.

ESTROGÊNIAS: MENINAS NA CIÊNCIA

“É preciso unir o ecossistema educacional para promovermos uma educação igualitária em STEM”, afirma Raphaella Caçapava, coordenadora da iniciativa promovida pelo Educacional – Ecossistema de Tecnologia Inovação.

Foi pensando em preencher essa lacuna e levar o debate para dentro das instituições de ensino que o Educacional – Ecossistema de Tecnologia e Inovação criou a iniciativa EstroGênias: meninas na ciência. “Só podemos resolver um problema quando entendemos que existe um, feito isso o próximo passo é debater, trocar experiências e criar formas de promover a mudança”, salienta.  

A campanha acontece em várias frentes que vão desde a produção de conteúdo especializado sobre o assunto até o patrocínio de 25 times de robótica exclusivamente femininos de instituições públicas de ensino de todas as regiões do Brasil.

“Em 2022 o projeto cresceu e conseguimos com o resultado do ano passado vencer um edital que a Disney promoveu sobre o tema. Estabelecida essa parceria, abrimos o edital que agora vai formar e acompanhar educadores e alunas até agosto deste ano”, explica.

AS 250 meninas selecionadas pelas escolas vão criar projetos para competirem nas etapas regionais da FIRST® LEGO® League (a maior competição de robótica do mundo) e do desafio internacional do your :bit.

Na FIRST® LEGO® League elas serão desafiadas a repensar um caminho a seguir e inventar o futuro do transporte. Para isso, vão aplicar conceitos de STEM na criação de projetos de inovação, construção e programação de robôs e completar missões em que o objetivo final é se divertir.

Já no do your :bit, elas precisarão desenvolver um protótipo com a placa micro:bit para encontrar uma solução dentro de algum dos ODS estabelecidos pela ONU.

As meninas ainda farão a mentoria de outros alunos das instituições em que estudam para se tornarem multiplicadoras dos conceitos de inovação e STEM. Além da Disney e do Educacional, assinam a parceria do projeto a LEGO® Education, o micro:bit e a UNESCO.

“É importante para os direitos humanos, para a inclusão e para o desenvolvimento sustentável... precisamos estimular o interesse desde os primeiros anos de vida, combater os estereótipos, formar docentes (homens e mulheres) para encorajar as meninas a seguir carreiras em STEM, desenvolver currículos que sejam sensíveis às questões de gênero, realizar a tutoria de meninas e jovens mulheres e transformar mentalidades.”

  • Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), UNESCO.

11 DE FEVEREIRO: O DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES E MENINAS NA CIÊNCIA

O dia 11 de fevereiro foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2015, com a proposta de celebrar o feito de mulheres na área e lembrar a comunidade internacional de que a ciência e a igualdade de gênero devem avançar lado a lado, garantindo voz as ideias delas e incentivando as gerações mais novas.

“Por isso, esse dia também é um marco dentro da nossa campanha. Convidamos mulheres influenciadoras nas áreas STEM para realizarem desafios com LEGO® Education e micro:bit para mostrar que todos podem programar”, conta.

CONFIRA COMO FOI O DESAFIO ELAS NA PROGRAMAÇÃO EM 2021

Neste ano as influencers selecionadas são:  

É possível acompanhar os desafios nos canais das influencers ou ainda nas redes sociais do Educacional.

AS CIENTISTAS MAIS RENOMADAS DO PAÍS INCENTIVANDO A EDUCAÇÃO EM STEM

Para fechar a segunda edição das EstroGênias, no Dia Internacional da Mulher, outra data simbólica, será realizado um evento online com cinco das mulheres brasileiras mais influentes no campo da ciência. Juntas elas vão contar suas histórias, debater a importância de uma educação e STEM e responder as principais dúvidas e desafios dos educadores sobre o assunto.

"O papel essencial da escola na formação em STEM” acontece no dia 08 de março, a partir das 17h e será transmitido ao vivo pelo Youtube. As inscrições são gratuitas, clique aqui para garantir a sua vaga.

Veja a lista de convidadas:

Márcia Barbosa, física, pesquisadora e professora

Professora titular de Física da UFRGS, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Mundial de Ciências, ela foi considerada em 2020 pela ONU Mulheres uma das mulheres que mudou o mundo com a ciência e eleita pela Revista Forbes uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil. Também foi vencedora do prêmio Loreal-Unesco de Mulheres nas Ciências Físicas e do prêmio Claudia em Ciência.

Aline Carvalho, engenheira e head na STEM For Girls.

Bacharel em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Astrônoma amadora, membro da Sociedade Brasileira de Astronomia. Comissária de Vôo e cadete da Patrulha Civil Resgate de Socorro e Salvamento do Rio de Janeiro. Colaboradora do Projeto For Women in Science em parceria com a L'Óreal, UNESCO e Academia Brasileira de Ciências. Finalista do Hackathon do Programa das Nações Unidas para Refugiados com a criação da plataforma WELCOME. Embaixadora da Campus Party Brasil e Holanda. Homenageada pela Mauricio de Souza produções com Personagem do Projeto Donas da Rua em parceria com a ONU Mulheres Membro da ONG Women in Nuclear e Women in Aviation.

Ingrid Barcelos, física e pesquisadora.

Graduada em Física pela UFMG, mestra, doutora e pós-doutora em Física pela mesma instituição, com tempo de trabalho no Advanced Photonics Lab, no CNRNANOTEC Institute of Nanotecnology (Italy) em colaboração com o Prof. Daniele Sanvito. Pesquisadora na linha de Nanoespectroscopia de Infravermelho do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Atua na área experimental de Física da Matéria Condensada, com ênfase em óptica, Nano-espectroscopia de Infravermelho Síncrotron, óptica de campo próximo e efeitos de polaritons em materiais bidimensionais.

Solange Binotto Fagan, física, pesquisadora e professora.

Bacharel em Física, mestra e doutora em Física. Atualmente é professora Titular e Vice-reitora da Universidade Franciscana (UFN). Já atuou na UFN como coordenadora do Curso de graduação em Física Médica, Coordenadora do mestrado em Nanociências e Pró-Reitora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão.. É revisora dos periódicos internacionais: Physical Review B, Chemical Physics Letters, Journal of Physical Chemistry B, Physical Review Letters e Nanotechnology. Tem experiência na área de Física e Nanociências. Coordenou a Rede de Centros de Inovação em Nanocosméticos.

Ganhadora do prêmio Loreal para Mulheres na Ciência na área de Física. É membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências.

Thaisa Storchi Bergmann, astrofísica, pesquisadora e professora.

Professora do Departamento de Astronomia do Instituto de Física da UFRGS, é pesquisadora e membro da Academia Brasileira de Ciências desde 2009, presidente da Comissão X1 da União Astronômica Internacional. Presta assessoria científica ao Laboratório Nacional de Astrofísica e agências internacionais e brasileiras. Foi incluída pela Revista Veja no grupo de 12 pesquisadores brasileiros mais citados em publicações internacionais. Indicada ao prêmio da revista Cláudia na área de ciências. Também ganhou o prêmio L'Oréal-UNESCO para mulheres em ciência pela contribuição para a ciência como um todo e, particularmente, sua contribuição para a compreensão de como buracos negros interagem com suas galáxias hospedeiras e como isto afeta a evolução das galáxias.