Seguindo a movimentação de diversos segmentos que precisaram se adaptar ao isolamento social, escolas de todo o mundo encontraram na tecnologia o apoio necessário para assegurar o aprendizado dos alunos.

A pandemia de covid-19 trouxe uma série de modificações da vida em sociedade. Se por um lado ela interrompeu o funcionamento de comércios e escolas de maneira presencial, por outro acelerou o processo de transformação digital em praticamente todos os segmentos. Do varejo digital – que faturou mais de R$ 33 bilhões no segundo trimestre deste ano – ao educacional – que, de acordo com a pesquisa do Google, registrou um aumento de 130% na procura por cursos de especialização do ensino à distância durante o início da quarentena, o investimento em tecnologias e serviços digitais é uma demanda cada vez mais urgente.

A pandemia acelerou a transformação digital nas empresas a uma taxa de 72%. Soluções em nuvem, inteligência artificial, machine learning e internet das coisas foram apontadas entre as ferramentas essenciais para este momento.
Pesquisa realizada pela The Economist Intelligence, a pedido da Microsoft.

Outro estudo, “Covid-19 e o futuro dos negócios”, realizado pela IBM em 20 países e 22 setores, também apontou que seis em cada 10 empresas aceleraram projetos de digitalização e que 51% dos executivos planejam priorizar ações desse tipo nos próximos dois anos.

“O que esses indicadores nos mostram é uma aceleração de um cenário que já era previsto, mas que nos obrigou a caminhar em passos mais largos devido ao momento que vivemos. Se antes as escolas podiam postergar essas iniciativas, isso não será mais possível a partir de agora, afinal os alunos viveram uma imersão digital nos últimos 18 meses que não poderá ser ignorada”, explica Regina Silva, diretora pedagógica do Educacional – Ecossistema de Tecnologia e Inovação.

Regina tem razão. O acesso amplo dos alunos à informação na internet potencializado no período pandêmico, desafia as escolas a serem mais inovadoras no processo de ensino-aprendizagem e fortalece a tendência de criar planos que vão além da teoria e que busquem desenvolver atividades práticas, aliadas a competências e habilidades socioemocionais.

MAIS QUE TRANSFERIR O FÍSICO PARA O ONLINE, A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL DAS ESCOLAS É UMA MUDANÇA DE CULTURA

As escolas sempre contaram com tecnologias para desenvolver seu processo gerencial e/ou pedagógico. Da lousa e giz até catracas eletrônicas, o que muda com a transformação digital é que processos escolares passam a ser interconectados para potencializar os resultados e não mais funcionam de forma isolada.

A praticidade e o acesso aos dados permite às instituições de ensino aumentar a qualidade no ensino, na interação com a comunidade escolar, na produtividade e no apoio aos professores, diminuindo gastos desnecessários, otimizando investimentos e aumentando as matrículas e retenções.

AUTONOMIA DO ALUNO E NOVAS DEMANDAS DO MERCADO DE TRABALHO

Promover a transformação digital é oportunizar aos alunos uma formação mais adequada ao seu cotidiano e as mudanças do mundo. São novas formas de aprender, de engajar e de aproximar os estudantes das suas realidades, trazendo mais sentido e significado ao aprendizado.
Em um mundo cada vez mais tecnológico e digital, dominar novas ferramentas e desenvolver habilidades e competências que essa vivência traz são essenciais para inserção no mercado de trabalho.

DESAFIOS DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Nas instituições públicas de ensino a transformação digital da sala de aula também é um assunto que vem ganhando destaque e se apresentando como o principal desafio no retorno das atividades presenciais. “Só com a reabertura segura das escolas conseguiremos viabilizar todas as demais prioridades [do MEC], como a transformação digital do sistema educacional brasileiro”, disse o secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Victor Godoy Veiga, durante um seminário virtual que o ministério promoveu para discutir os impactos da pandemia da covid-19 na educação brasileira.

Durante o mesmo evento, a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães, reforçou a importância de um plano para integrar as escolas públicas à rede digital de ensino. “Sei que não é uma ação para ser feita de um dia para o outro, mas para chegarmos a termos conectividade no Brasil todo, precisamos ter um plano de voo. E é isto que está faltando. Precisamos de um plano de curto, de médio e de longo prazo para, de fato, conseguirmos chegar, em 2030, com todas as escolas, todos os municípios, plenamente conectados. Ou ficaremos para trás”, pontuou Maria Helena.

A TECNOLOGIA E A VIABILIDADE DA EDUCAÇÃO NA PANDEMIA

POR ONDE COMEÇAR A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA MINHA ESCOLA?

Regina explica que o uso da tecnologia já é uma realidade que cresceu exponencialmente durante a pandemia. Por isso, essa é uma mudança que não se pode voltar atrás. Confira os seis passos destacados pela especialista para promover a transformação digital na sua escola!

1. Compreenda bem o amplo conceito da transformação digital para a educação: o alerta aqui é para que a instituição não caia na limitação de que o acesso à internet garante esse processo. É preciso entender como a tecnologia pode ser uma aliada para ajudar a potencializar o processo de ensino-aprendizagem, seja com a possibilidade de personalização do ensino com plataformas adaptativas, formatos diversos de apresentação de um mesmo conteúdo ou ainda as novas formas de aplicação (como robótica e programação, por exemplo).

2. Entenda os avanços na educação: os educadores hoje atuam muito mais como mentores do que detentores de todo o conhecimento. Nesse sentido, a adoção de tecnologias educacionais traz uma nova perspectiva aos alunos, permitindo que eles estejam mais alinhados com sua realidade, aumentando o engajamento, a compreensão e também a preparação para o mercado de trabalho.

3. Conscientize a equipe e entenda o cenário da escola: antes de qualquer mudança é preciso que todos estejam alinhados quanto à importância, os objetivos estabelecidos e comprometidos com as alterações para que os resultados apareçam. O segundo movimento deve ser justamente entender o momento da escola, a comunidade que está inserida, as demandas dos alunos que atende e quais objetivos concretos os investimentos em tecnologias educacionais devem alcançar.

4. Forme e envolva os professores: afinal são eles que promovem a transformação e ajudam na mudança de cultura da instituição. Para isso, capacitação constante sobre as tecnologias, metodologias e espaços de troca e diálogos são essenciais para que o projeto funcione de forma efetiva.

5. Saiba pontuar claramente os benefícios da transformação digital para cada um dos envolvidos no processo: para gestores mais assertividade no planejamento, mais acesso a dados concretos, mais economia e menos desperdício. Para os professores a personalização do ensino, a possibilidade de atender alunos em diferentes níveis do conhecimento, informações e dados de desempenho, clareza sobre o caminho a ser seguido individual ou coletivamente. Já os alunos ganham novas formas de explorar os conteúdos, criam trilhas de aprendizado mais personalizadas, identificam suas dificuldades e conseguem trabalhá-las de forma individualizada e no seu ritmo, têm acesso a uma educação mais condizente e sólida para os desafios da vida.

6.Olho no mercado e nas tendências: ficar atento ao mercado e as novas tecnologias é essencial para se manter atualizado e identificar as oportunidades para promover a melhoria contínua do aprendizado.